Um dos produtores de dub que eu mais gosto é o norte-americano Bill Laswell que além de produtor é um ótimo baixista. Conheci o som dele quando eu comprei um disco por curiosidade, achei a capa legal e vi que se tratava de dub, o disco era "RadioAxion - A Dub Transmission" de Bill junto com o também baixista Jah Wobble. Achei o disco simplesmente foda, com baixos grooveados e de muito peso, metais muito bem tocados e cheios de delay, percursões bem encaixadas, enfim, uma coisa que realmente me agradou. Procurei mais sobre o cara e descobri o disco "Imaginary Cuba", que foi feito gravando sons de artistas de rua cubanos e o material levado pros EUA onde foi produzido por Laswell, nas faixas pode-se ouvir até mesmo batucadas com colheres além das tradiconais percusões de congo cubano, tudo feito no mais puro sentimento e improviso. Após descobrir mais essa pérola eu percebi que ainda haviam coisas a serem trazidas para a luz, duas coisas, dois discos onde Bill desconstroi as obras de dois monstros da música, as gravações da fase fusion de Miles Davis (1969-1974) e os standards do rei do reggae, Bob Marley. O de Miles é pesado, tenso e sombrio como são os originais e o do Bob traz versões dub relaxantes num estilo mais ambient, de faixas como Waiting in Vain e Burnin' and Lootin', já inúmeras vezes remixadas e remasterizadas mas feito ali de uma forma bem autêntica e original. Fugindo de formulas tradicionais, Bill Laswell ajuda a adicionar novos contornos as obras desses dois craques da música, respeitando o legado mas inovando de várias formas.
Dito tudo isso, acredito que é hora de ir pra audição.
sábado, 29 de maio de 2010
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Lamartine Babo
"Costumo dividir o carnaval em duas fases:
Antes e depois de Lamartine"
Braguinha
Tijucano, Lamartine Babo nasceu em 1915 e faleceu em 1963, 3 anos após comemorar o último título estadual do América, em um memorável desfile pelo Centro fantasiado de diabo.
Esta aí um compositor que desperta muita curiosidade. Seja pela autoria de todos os hinos dos clubes de futebol do Rio, seu humor ou pela polêmica em torno de uma das mais famosas marchinhas de carnaval. A marchinha em questão é "O teu cabelo não nega", um hit dos carnavais do Rio. O fato é que a marcha a que se atribui autoria a Babo é uma adaptação da marcha "Mulata" dos pernambucanos, Irmãos Valença. Lamartine fez a adaptação por contrato com a gravadora Victor, a quem os Irmãos Valença apresentaram a canção. Lamartine foi instruido a "acariocar" a música. Ele prontamente fez o serviço, aproveitando a melodia e estribrilho mas modificando a letra. O problema é que a gravadora lançou o hit tendo Lamartine como seu único autor, gerando uma complicada batalha na justiça onde os Irmãos Valença levaram autoria da canção mas liberaram a co-autoria, que de fato foi de Lamartine, porém até hoje o gosto popular atribui essa canção apenas a Babo, o que é um tremendo engano.
Pendengas judiciais não abalam a imagem desse talentoso compositor de marchinhas irreventes e bem humoradas. Mesmo sem ter estudado música, Lalá, como era chamado pelos amigos, sempre demonstrou muita inventividade com suas melodias e na fabricação de refrões grudentos. As letras de Lamartine foram duramente censuradas pelo estado novo de Getúlio, o que modificou drasticamente o tema de suas composições. São de autoria dele além do samba, Serra da Boa Esperança e a bela parceria com Ary Barroso, No Rancho Fundo, as marchas: Linda Morena, Marchinha do Grande Galo, Moleque Indigesto e Só Dando Com Uma Pedra Nela.
Apesar de tantas músicas de sucesso, acho que o que mais lhe dá vida eterna é a longevidade que terão os hinos dos mais tradicionais clubes de futebol do Rio. Diz a lenda que foram escritos no mesmo dia, os hinos de Fluminense, Botafogo, Flamengo, Vasco da Gama, Bangú e do seu querido América. O interessante é a forma como Lamartine captou a alma e singularidade de cada uma das torcidas cariocas, pois elas tem suas caracteristicas próprias e tudo esta traduzido nas letras desde as cores de cada pavilhão as coisas mais íntimas de cada torcedor. De fato, não tem como não se emocionar ao ouvir o hino de seu clube do coração.
Antes e depois de Lamartine"
Braguinha
Tijucano, Lamartine Babo nasceu em 1915 e faleceu em 1963, 3 anos após comemorar o último título estadual do América, em um memorável desfile pelo Centro fantasiado de diabo.
Esta aí um compositor que desperta muita curiosidade. Seja pela autoria de todos os hinos dos clubes de futebol do Rio, seu humor ou pela polêmica em torno de uma das mais famosas marchinhas de carnaval. A marchinha em questão é "O teu cabelo não nega", um hit dos carnavais do Rio. O fato é que a marcha a que se atribui autoria a Babo é uma adaptação da marcha "Mulata" dos pernambucanos, Irmãos Valença. Lamartine fez a adaptação por contrato com a gravadora Victor, a quem os Irmãos Valença apresentaram a canção. Lamartine foi instruido a "acariocar" a música. Ele prontamente fez o serviço, aproveitando a melodia e estribrilho mas modificando a letra. O problema é que a gravadora lançou o hit tendo Lamartine como seu único autor, gerando uma complicada batalha na justiça onde os Irmãos Valença levaram autoria da canção mas liberaram a co-autoria, que de fato foi de Lamartine, porém até hoje o gosto popular atribui essa canção apenas a Babo, o que é um tremendo engano.
Pendengas judiciais não abalam a imagem desse talentoso compositor de marchinhas irreventes e bem humoradas. Mesmo sem ter estudado música, Lalá, como era chamado pelos amigos, sempre demonstrou muita inventividade com suas melodias e na fabricação de refrões grudentos. As letras de Lamartine foram duramente censuradas pelo estado novo de Getúlio, o que modificou drasticamente o tema de suas composições. São de autoria dele além do samba, Serra da Boa Esperança e a bela parceria com Ary Barroso, No Rancho Fundo, as marchas: Linda Morena, Marchinha do Grande Galo, Moleque Indigesto e Só Dando Com Uma Pedra Nela.
Apesar de tantas músicas de sucesso, acho que o que mais lhe dá vida eterna é a longevidade que terão os hinos dos mais tradicionais clubes de futebol do Rio. Diz a lenda que foram escritos no mesmo dia, os hinos de Fluminense, Botafogo, Flamengo, Vasco da Gama, Bangú e do seu querido América. O interessante é a forma como Lamartine captou a alma e singularidade de cada uma das torcidas cariocas, pois elas tem suas caracteristicas próprias e tudo esta traduzido nas letras desde as cores de cada pavilhão as coisas mais íntimas de cada torcedor. De fato, não tem como não se emocionar ao ouvir o hino de seu clube do coração.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Um Pouco de Diversão
Como o dia foi barra pesada, acho que é hora de pôr um pouquinho de diversão, mas ainda com uma pitadinha de sentimento "deixa pra lá" do outro post. Venho agora de NOFX, aquela galera com um clima Califórnia total. Misto de hardcore, punk-rock e ska, com seus naipes de metais alegrinhos. É a trilha ideal pra tomar uns tombos do skate ou simplesmente levantar o dedo médio para tudo e todos que não estejam se adequando ao seu way of life.
Deixa pra Lá!
Hoje eu tô num clima de deixar tudo pra lá...aqueles dias de ligar o botão do foda-se. Bem, para um dia como esse, nada melhor que resgatar mais uma pérola do "Programa Ensaio" com Cartola e Leci.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Take Five
O papo hoje é sobre "Take Five", standard do jazz, originalmente gravada pelo Dave Brubeck Quartet. Ao contrário do que muitos pensam, essa música não é do pianista Dave Brubeck e sim do seu saxofonista Paul Desmond, que Dave conheceu servindo na segunda guerra mundial, que bom que os dois saíram vivos e inteiros de lá, pois do contrário não conheceriamos esse belo blues composto em compasso 5/4.
Take Five foi regravada inumeras vezes pelos mais diversos artistas, recebendo inclusive algumas versões de King Tubby num trabalho junto com os Aggrovators e Osbourne Ruddock.
Desmond e Brubeck tiveram longa carreira de parcerias que lhes rendería muitas boas composições como: "Blues Rondo a la Turk" e "The Duck". O estilo cool de tocar sax alto de Desmond se adequava bem ao peso das notas de Brubeck e as batidas sincopadas do estilo de jazz ao qual eles pertenciam, designado west coast jazz, criando um clima relaxado e tranquilo, que era o oposto do hard bop, estilo desenvolvido na costa leste dos EUA, onde as composições eram tocadas de uma forma frenética, gerando um clima tenso. Desmond ainda trabalhou intensamente em apresentações de um dos guitarristas de jazz que eu mais curto, Jim Hall, mas isso já é papo pra outro dia... Por hora vamos fica só de Take Five e suas várias versões, o que já é muita coisa.
Vale destacar também as impressionantes versões ao vivo de Al Jarreau e George Benson, realmente de tirar o fôlego.
Ta esperando o que? Escolhe sua versão favorita aí e som na caixa...
Take Five foi regravada inumeras vezes pelos mais diversos artistas, recebendo inclusive algumas versões de King Tubby num trabalho junto com os Aggrovators e Osbourne Ruddock.
Desmond e Brubeck tiveram longa carreira de parcerias que lhes rendería muitas boas composições como: "Blues Rondo a la Turk" e "The Duck". O estilo cool de tocar sax alto de Desmond se adequava bem ao peso das notas de Brubeck e as batidas sincopadas do estilo de jazz ao qual eles pertenciam, designado west coast jazz, criando um clima relaxado e tranquilo, que era o oposto do hard bop, estilo desenvolvido na costa leste dos EUA, onde as composições eram tocadas de uma forma frenética, gerando um clima tenso. Desmond ainda trabalhou intensamente em apresentações de um dos guitarristas de jazz que eu mais curto, Jim Hall, mas isso já é papo pra outro dia... Por hora vamos fica só de Take Five e suas várias versões, o que já é muita coisa.
Vale destacar também as impressionantes versões ao vivo de Al Jarreau e George Benson, realmente de tirar o fôlego.
Ta esperando o que? Escolhe sua versão favorita aí e som na caixa...
quarta-feira, 12 de maio de 2010
AZ
Bom, pra falar do Antizona eu preciso voltar no tempo, lá em meados dos anos 90, quando eu conheci o som dessa banda. Foi mais ou menos nessa época que eu frequentava uma festa meio clandestina na Zona Norte do Rio. Digo clandestina porque a festa rolava num quintalzão de uma casa meio doida com uma entrada escura onde não se enxergava um palmo alem do nariz. O cara ia guiado pela música até chegar aos fundos desse quintal onde tinha um bar meio fumaçado, um palco e uma galera que morava ali nos bairros próximos e frequentava aquele local nos fins de semana em busca de alternativas à rotina massante. Ali, naquele bar, rolaram muitas bandas locais e algumas de fora, rolaram muitas jams de amigos e também algumas batidas da policia, pedindo pra abaixar o som ou simplesmente conferir se a galera estava fazendo alguma coisa ilícita. Foi nesse contexto que eu conheci os primordios do som do Antizona, um som pesado e de muito groove, e de lá pra cá a banda dividiu palco com outras bandas e artistas, como Planet Hemp, Squaws, Lobão e B Negão, além de muitos shows em comunidades dos suburbios do Rio de Janeiro e outros lugares, levando a essas comunidades uma alternativa em termos de músicas e idéias. Mudou um pouco a formação, mas em nenhum momento se perdeu a verdadeira essência do que é o AZ, pelo contrario, isso foi aprimorado. Ouvindo atentamente o som dos caras que é pesado, com marcantes riffs de guitarra executados por Fabinho Teixeira, percebe-se uma mão de Jimi Hendrix em sua fase mais funk (Band of Gypsys), aquela mesma mão que também se ouve quando escutamos Rage Agains the Machine e Red Hot Chilli Peppers - quem quiser entender essa onda pode ouvir as musicas "power of soul" ou "ezy rider" do Jimi que captará o que estou falando. A linguagem vocal da banda é transmitida através do rap, e acho legal destacar a versatilidade do não só Mc, mas também ótimo vocalista André Zovão, que consegue condensar bem aquele lance ritmado e que flui de forma rápida do rap com peso e melodia do lance mais rock de cantar. As letras abordam temas como preconceito, abuso de poder, falência das instituições, falta de democracía, relações entre o trabalho e o lazer, e submissão da sociedade perante a zona que impera no Brasil e em outros países "em desenvolvimento" (apesar de que eu ainda prefiro chamar de sub-desenvolvido mesmo). A "cozinha" da banda é formada por uma dupla muito afinada no groove e funk: O baterista Leo Desbrousses, e o baixista Renato Horacio. O Dj Fabio ACM completa o time inserindo com talento e sabedoria scratches, progamações e ainda dando sua colaboração nos vocais.
O AZ está lançando seu primeiro disco, "Antizona", além de encabeçar um projeto muito bacana, demonstrando que a preocupação da banda com as questões sociais não é só da boca pra fora, como se vê muito por ai. Esse projeto rendeu um cd chamado "Hip-Hop pela não violência contra as mulheres". Os dois discos foram produzidos pela própria banda e totalmente independente de gravadoras.
Quem quiser conhecer mais sobre a banda, seu projeto social ou saber pontos de venda dos cds e futuros shows, pode acessar o site dos caras clicando no link abaixo:
http://www.bandaantizona.com/A_Banda.html
O AZ libera seu disco para download no 4shared portanto deixo aqui, com a consciencia tranquila, o link para quem quiser baixar:
http://www.4shared.com/file/150920128/eb9e3818/Antizona_2010.html
O AZ está lançando seu primeiro disco, "Antizona", além de encabeçar um projeto muito bacana, demonstrando que a preocupação da banda com as questões sociais não é só da boca pra fora, como se vê muito por ai. Esse projeto rendeu um cd chamado "Hip-Hop pela não violência contra as mulheres". Os dois discos foram produzidos pela própria banda e totalmente independente de gravadoras.
Quem quiser conhecer mais sobre a banda, seu projeto social ou saber pontos de venda dos cds e futuros shows, pode acessar o site dos caras clicando no link abaixo:
http://www.bandaantizona.com/A_Banda.html
O AZ libera seu disco para download no 4shared portanto deixo aqui, com a consciencia tranquila, o link para quem quiser baixar:
http://www.4shared.com/file/150920128/eb9e3818/Antizona_2010.html
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Dub Dub Dub Dub Dub Dub Dub...
O dub surgiu em Jamaica lá pelos idos dos anos 60, em princípio fazendo o que podemos chamar de remixes de faixas de reggae e ska. Bem, hoje em dia pode até parecer simples falar em remix, mas é preciso lembrar que naquela época não se tinha computadores ou mesas de som digitais, pedais de delay, reverb e outros "equipos". Tudo era feito na mão, isto é, na fita. Como tudo era analógico, gente como King Tubby e Lee Perry cortou um dobrado para colocar suas idéias em prática naquelas condições, mas não ha nehuma adversidade que a criatividade humana não possa superar.
No início foram as inumeras sound systems da ilha que lançaram as primeiras versões, onde o Dj muitas vezes dava uma palhinha de Mc improvisando sobre as bases de baixo e bateria, posteriormente as produções das versões dub passaram a ser lançadas também em discos, consolidando a imagem dos engenheiros de som e produtores como figuras de destaque junto com os artistas que executavam as originais. Praticamente todas as estrelas da música jamaicana lançaram versões dub em seus discos junto com as originais, quando não "abusavam", e lançavam albuns inteiros em estilo dub. Era uma honra ter uma faixa mixada por King Tubby, Lee Perry, Bunny Lee ou Sir Collins. Gente como Augustus Pablo, U-Roy, Bob Marley, Dillinger, The Techniques, The Agrovators, Gregory Isaacs, Skatalites e muitos outros renderam muitas e muitas versões para alegria do povo que chacoalhava ao som das sound systems jamaicanas.
O jeito dub de remixar uma faixa, consistia e ainda consiste em valorizar baixo e bateria, picotando e brincando com os vocais, guitarras, teclados e metais existentes na faixa original inserindo muito delay e reverb, fazendo fades de forma repentina, além de se utilizar muitas vezes de loops. Uma base de baixo e bateria de 2 minutos pode render um dub de uns 10 minutos em que se pode usar vocais e picotes de outras faixas e até algumas intervenções de vocal em estilo livre criando um verdadeiro mistão. A grosso modo, é desconstruir para reconstruir. Essa forma de remixar acabou influenciando significativamente tudo o que veio depois em termos de música eletronica e também o rap. Estilos como drum'n'bass, downtempo, lounge, dubstep, trip-hop, ragga muffin e outros são apenas a continuação e evolução continua dessa forma de mixar.
Hoje em dia podemos destacar como influentes divulgadores de dub, Mad Professor, Asian Dub Foundation, Rebel Mc, Easy Stars All Stars e os brasileiros, Digitaldubs, Dub Stalker, Otto, Dubalizer, 2Dub, Nação Zumbi, Black Alien e Marcelinho da Lua.
Na minha visão hoje tudo pode ser dub, pois ele não é um estilo musical é uma intenção. É um certo ambiente, uma paisagem que se forma, é olhar de um ponto de vista diferente, são frequências que aparecem e que sempre estiveram alí nos originais, mas não perceptíveis, agora valorizadas em uma obra renovada, aquelas frequências que geralmente a gente corta quando se faz de uma forma tradicional mas aqui é diferente, aqui não precisa se respeitar a arquitetura de uma música "normal", A, B, Refrão, Solo...no dub tudo é liberado você distribui as virgulas e pontos como achar melhor, sem uma regra pré-determinada, no dub você faz as regras, resumindo:
- Dub é o som da liberdade...
No início foram as inumeras sound systems da ilha que lançaram as primeiras versões, onde o Dj muitas vezes dava uma palhinha de Mc improvisando sobre as bases de baixo e bateria, posteriormente as produções das versões dub passaram a ser lançadas também em discos, consolidando a imagem dos engenheiros de som e produtores como figuras de destaque junto com os artistas que executavam as originais. Praticamente todas as estrelas da música jamaicana lançaram versões dub em seus discos junto com as originais, quando não "abusavam", e lançavam albuns inteiros em estilo dub. Era uma honra ter uma faixa mixada por King Tubby, Lee Perry, Bunny Lee ou Sir Collins. Gente como Augustus Pablo, U-Roy, Bob Marley, Dillinger, The Techniques, The Agrovators, Gregory Isaacs, Skatalites e muitos outros renderam muitas e muitas versões para alegria do povo que chacoalhava ao som das sound systems jamaicanas.
O jeito dub de remixar uma faixa, consistia e ainda consiste em valorizar baixo e bateria, picotando e brincando com os vocais, guitarras, teclados e metais existentes na faixa original inserindo muito delay e reverb, fazendo fades de forma repentina, além de se utilizar muitas vezes de loops. Uma base de baixo e bateria de 2 minutos pode render um dub de uns 10 minutos em que se pode usar vocais e picotes de outras faixas e até algumas intervenções de vocal em estilo livre criando um verdadeiro mistão. A grosso modo, é desconstruir para reconstruir. Essa forma de remixar acabou influenciando significativamente tudo o que veio depois em termos de música eletronica e também o rap. Estilos como drum'n'bass, downtempo, lounge, dubstep, trip-hop, ragga muffin e outros são apenas a continuação e evolução continua dessa forma de mixar.
Hoje em dia podemos destacar como influentes divulgadores de dub, Mad Professor, Asian Dub Foundation, Rebel Mc, Easy Stars All Stars e os brasileiros, Digitaldubs, Dub Stalker, Otto, Dubalizer, 2Dub, Nação Zumbi, Black Alien e Marcelinho da Lua.
Na minha visão hoje tudo pode ser dub, pois ele não é um estilo musical é uma intenção. É um certo ambiente, uma paisagem que se forma, é olhar de um ponto de vista diferente, são frequências que aparecem e que sempre estiveram alí nos originais, mas não perceptíveis, agora valorizadas em uma obra renovada, aquelas frequências que geralmente a gente corta quando se faz de uma forma tradicional mas aqui é diferente, aqui não precisa se respeitar a arquitetura de uma música "normal", A, B, Refrão, Solo...no dub tudo é liberado você distribui as virgulas e pontos como achar melhor, sem uma regra pré-determinada, no dub você faz as regras, resumindo:
- Dub é o som da liberdade...
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